Domingos José de Morais

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Repartida por dez capítulos:
I- O Cidadão Areosense
II- A perda de um Insigne Vianense
III- Um Empresário de Sucesso
IV- A acção beneficente de DOmingos José de Morais
V- A Escola Domingos José de Morais
VI- Domingos José de Morais e o Lar de Santa Teresa
VII- A (in)Gratidão de Viana e a Homenagem de Quartin
VIII- Um coração de Ouro
IX- O Monumento que nunca existiu
X- Conclusão,
a biografia de Domingos José de Morais, o “pai dos pobres” conforme foi apelidado após a sua morte, e homem de coração magnânimo, como o comprovam os testemunhos relatados ao longo do livro, contempla aspectos da vida pessoal e empresarial do biografado, assim como a sua acção beneficente em Viana do Castelo ( na cidade, propriamente dita, em Santa Luzia, no Lar de Santa Teresa, na fundação de uma escola gratuita para crianças do sexo masculino e em Areosa) e em Lisboa.
Nomeia as personalidades que responderam ao apelo feito por Quartin para darem testemunho da vida e acção meritória de Domingos José de Morais, citando passagens desses depoimentos.
Por fim, lança o repto à sociedade vianense, para que, na senda do que desde a sua morte foi desejo dos verdadeiros amigos, publicamente expresso na imprensa regional, embora jamais acolhendo a desejada resposta, seja erigido um monumento à memória deste insigne vianense.

Autor:

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ISBN

972-9119-08-2

Prefácio:

Prefácio

“A Junta de Freguesia de Areosa cumpre um desígnio cultural, ao apoiar um autor e investigador areosense, na divulgação da biografia de uma das figuras dos séculos XIX/XX que mais influenciaram os sentimentos e a acção daqueles que o conheceram ou que, simplesmente, dele ouviram falar – Domingos José de Morais.

O seu retrato a óleo enriquece o Salão Nobre da Junta de Freguesia de Areosa, ao lado de outros insignes areosenses que tanto contribuíram e marcaram a evolução democrática, decorrente do surto industrial do século XIX: construção de um cemitério moderno, saneamento da igreja paroquial, abertura de avenidas, instalação de escolas públicas, captação de água e construção das respectivas minas e condutas são as obras principais que estes notáveis nos legaram e que, passado já mais de um século, delas não podemos prescindir.

Domingos José de Morais é para os areosenses uma figura mítica – tudo podia e tudo fazia a bem dos seus conterrâneos; ia transformar a Montanha de Santa Luzia naquilo que, nas palavras do poeta Castro Gil seria a “Visão do Paraíso ou dos Jardins Suspensos / Entre almargens e praias, veigas e perfumes / Montanha – jardim – parque, noiva além dos cumes / Do desdobrar sem fim de horizontes imensos”.

Porém, as rivalidades bairristas e a inveja não lhe permitiram concluir o seu sonho e teria sido envenenado num jantar, para que as obras monumentais de Santa Luzia não viessem a ofuscar o Bom Jesus de Braga. Foi esta a interpretação e a crença popular que se seguiu à sua inesperada morte e que perdurou nas mentes da primeira geração do século XX, em Areosa.

O seu espírito empreendedor e devotado à causa pública inspirou, já depois da sua morte, os fundadores da Sociedade de Instrução e Recreio Social Areosense, entre os quais se encontra um dos seus sobrinhos – Carlos Couto Morais. e ainda hoje os seus sobrinhos-netos e bisnetos, que fazem parte da numerosa família Morais, de Areosa, sentem orgulho na obra deixada por este bom e generoso antepassado e procuram nortear as suas vidas no quadro de valores sociais e humanitários que lhes foram transmitidos, a partir do exemplo deixado por Domingos José de Morais.

o autor desta biografia, Dr. Manuel Inácio Rocha, é um areosense por adopção, que nas suas pesquisas rigorosas e profundas, se deixou sensibilizar pela intervenção social deste filantropo e benemérito, tão ao estilo do século XIX, época conturbada, marcada pelas lutas entre o “antigo” e o “moderno” de que o biografado, como industrial cerealífero, soube, como muito poucos no nosso meio, tirar proveito e tornar-se num dos homens mais ricos do nosso país.

Não há objectividade absoluta na pesquisa histórica, toda a investigação é complexa e deve ser problematizadora. Contudo, o carácter pedagógico desta biografia, vista pelos olhos generosos do Dr. Manuel Inácio Rocha, é um merecido tributo ao homem do século XIX, uma referência incontornável para os vianenses e admiradores de Santa Luzia e, sobretudo, o redescobrir do cidadão com quem todos os areosenses de hoje gostariam de se identificar.”

Outros

Badanas

Na badana da capa, encontra-se a biografia do autor.
A badana da contracapa contém a obra de Manuel Inácio Rocha.

Contra capa

Apresenta o brasão da freguesia de Areosa.

Excertos

“1. O estado dos padroados-leigos das igrejas, por todo o País, no início do século XVI, atravessava uma crise profunda. A transmissão, por herança, provocou o seu fraccionamento desgastante.

Segundo a tese mais comum o padroado teve origem no âmbito das igrejas particulares. Os senhores, desde cedo, se habituaram a erguer templos nos seus domínios, escolhendo, entre os clérigos apaniguados, os melhores administradores espirituais. Ao bispo cabia, em última instância, a confirmação da jurisdição. As obras de restauro do templo e a sustentação do sacerdote ficavam por sua conta.

Este acontecimento remonta à época da Reconquista Cristã. Muitas paróquias tiveram oorigem neste facto. Os bispos, monarcas, mosteiros e leigos apadrinharam o movimento, convertendo-se em padroeiros.

Durante alguns séculos o padroado incluía proventos materiais. Lembramos a propósito: aposentadoria, comedoria, colheita, jantar, pousadias, padroádigo. A multiplicação dos padroeiros, por herança, desdobrava as obrigações. Nos sécs. XV e XVI grande parte das rendas das igrejas e mosteiros eram comidas pelos padroeiros. Não admira que estas instituições atravessassem uma crise extensa e profunda. Por outro lado, os padroeiros multiplicavam-se de contínuo. Algumas igrejas chegavam a atingir a casa das centenas de padroeiros-leigos.

As disputas e abusos eram frequentes. As demoras institucionalizavam-se. A simonia não escapava. Escândalos e atitudes excêntricas campeavam. Em muitos casos os bispos tiveram de intervir para salvaguardar os direitos pastorais dos fíeis. O mais grave defeito do sistema residia na demora do provimento dos respectivos párocos. Por outro lado nem sempre os melhores eram os escolhidos. Acentuou-se o fosso entre curas e alto clero, benefícios curados e não curados. Muitas paróquias estavam a sustentar clérigos de ordens menores, privilegiados, que não tinham obrigação de residir na paróquia e de administrar os sacramentos, recebendo largos rendimentos. As paróquias converteram-se em fontes de réditos para a nobreza e alto clero. Alguns chegaram a acumular vários benefícios, recebendo, sem obrigações, chorudos rendimentos.

A história, porém, não perdoou. O movimento de contestação não se fez esprerar. O papa e os concílios remaram contra a tendência. Alguns monarcas portugueses, como D. Afonso III e D. Dinis, tomaram parte no movimento de restauração. Os abusos eram muitos e as consequências, para as almas, desmedidas. Os mosteiros sofriam a delapidação constante. Era a ruína dos hospitais, hospedarias, monastérios e paróquias. Os abutres planejam em torno do edifício eclesiástico. Era fruto da indisciplina originada pelo Cisma do Ocidente e pela residência do papa em Avinhão. No séc. XVI, em Portugal, não havia mosteiro que não estivesse a ser sugado por comendatários. Constituía a maior causa da crise do monaquismo no Ocidente. (…)

No que diz respeito ao estado do padroado das igrejas do Alto-MInho, o seu estado não divergia da regra geral, isto é, nota-se uma multiplicação exagerada do número de padroeiros.´” (pág. 6 a 10)

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