A Cidade de Viana no Presente e no Passado

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Obra composta pelos capítulos:
– Citânia – «cidade velha»
– O Bairro da Bandeira
– O Bairro Jardim
– O Bairro da Abelheira
– Pessoas
– Artes e Letras
– Indústrias
– As Quintas
– Toponímia Local
– Curiosidades
– Algumas Instituições aqui instaladas
– Centros Desportivos
– Criação da Paróquia
Nestes, o autor apresenta, com minúcia, a história de locais,pessoas,usos e tradições da área que constitui a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

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Prefácio

Foi com grande satisfação e com muita honra que aceitei o convite que me fez o Pe. Artur Coutinho para prefaciar este livro.

Não que eu esteja muito metido na história de Viana e, muito menos, na pequena história de Viana, como o leitor terá ocasião de verificar através das páginas deste belo trabalho monográfico. Talvez outras razões tivessem levado o seu autor a formular este convite, entre os quais não deve estar alheio o prefácio que, há muitos anos, escrevi para o seu primeiro livro – CANCIONEIRO DA SERRA DE ARGA.
De qualquer maneira, mais uma vez o confesso, sinto-me extremamente honrado, não só por uma razão de pura amizade que nos tem levado a trabalhos de investigação em conjunto, mas também e sobretudo, porque se trata de um ensaio monográfico bem concebido, melhor elaborado e com estilo jornalístico invejável. (…)
Com A CIDADE DE VIANA NO PRESENTE E NO PASSADO, pode-se dizer que o autor contribuiu, como ninguém ainda o fez, pelo menos com tal amplitude e profundidade, para a elaboração da pequena história da urbe vianense.
Através destas páginas maravilhosas, perpassam bairros e ruas, esquadrinham-se caminhos velhos e becos sem saída, identificam-se casas de pobres e palácios de ricos, historiam-se e inventariaram-se igrejas, cruzeiros e alminhas, registam-se escritores, artistas, artesãos, reformados, pedintes e vadios. Entram nela as festas populares e as de feição mais religiosa; dá-se uma explicação de tudo e de todos; até os topónimos e as alcunhas não escaparam, revelando bem a minúcia do investigador, que se revela neste trabalho monográfico, Artur Coutinho.

Ricas de conteúdo e sugestivas, na forma como são descritas, são as casas dos dois bairros – Bandeira e Abelheira – bem como as festas populares com toda a gama das suas tradições, usos e costumes, as personagens, bem caracterizadas com simples alcunhas, com a profissão que exercem, ou a maneira como reagem perante situações, etc.

Artur Coutinho, quando esteve na serra de Arga, não perdeu o tempo. Além da missão pastoral, soube inteligentemente aproveitar os tempos livres, para realizar uma recolha de quadras que publicou (…) com o título de CANCIONEIRO DA SERRA DE ARGA.

Esta paixão pelo tradicional, pelo popular não se desvaneceu com a vinda para a cidade. Pelo contrário, soube ver, observar, interrogar as pessoas, os livros e as coisas, extraíndo delas um mundo de conhecimentos, dos quais nos dá conta neste livro maravilhoso.

Bem haja e sempre em frente, sem esmorecimentos, nem tremores.

Lourenço Alves

Excertos

A rua da Bandeira é uma das mais antigas da cidade e a mais longa que, saindo da Praça da Républica, chegava a S. Vicente. Com a linha do caminho-de-ferro foi cortada, mas continuou a ser a Rua da Bandeira, cujo nome foi dado pelo facto de, em S. Vicente, haver uma gafaria, tendo sido colocado ao fim desta rua, uma bandeira para indicação da presença de leprosos.

A zona da Bandeira, a leste da cidade, para além do caminho-de-ferro, era já a zona da periferia da cidade e a mais pobre.

Os seus habitantes ocupavam-se em misteres humildes: sapateiros, alfaiates, fogueteiros e pescadores. Eram muito conhecidas e afamadas as tricanas da Bandeira, as tricaninhas, como ouvi chamar.

O Bairro da Bandeira era um bairro muito pobre, só havia miséria em todos os aspectos. Daí que a peste do século XVI e a cólera morbus do século passado, assim como a tuberculose, tenham causado muitas vítimas nesta zona. Diz-se que muitos, para curar a tuberculose, refugiavam-se no lugar da Abelheira.
Passavam o tempo nas “vendas” a jogar a sueca, ou no meio da rua a jogar a malha, assim como as mulheres se juntavam em frente às Carmelitas ou na Rua do Taco, junto a um fontenário que ali existia.
(…)
Existia uma certa rivalidade entre a Bandeira e a Ribeira, mas tratava-se de uma rivalidade sadia, isto é, não se afastavam uns dos outros, mas juntavam-se à mesma mesa, sobretudo, a jogar a sueca. A refrega era sempre o jogo da sueca que tudo acabava em bem à volta de uma comezaina e de uma tigela de tinto. A maior rivalidade era entre as mulheres. Agudizou-se, porém, esta rivalidade por altura das competições das marchas populares, pois os da Bandeira não se conformavam de não tirar o primeiro prémio, acusando o júri de ser engodado pelas lagostas que as moças da Ribeira traziam nos cestos.

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